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  • Geisel Alves

Sólida Entrevista - Maria Luísa Lange curadora do TEDx Blumenau

Atualizado: Fev 11



Já pensou sobre o que você faria caso te chamassem para apresentar em umas edições do TED? Desafiador, né? Pensar em quais técnicas usaria, como pensaria em um bom tema e até mesmo, quais ganchos utilizaria para se conectar com a plateia.


Para te ajudar com isso, a Sólida convidou a Maria Luísa “Malu” Lange, curadora experiente de longa data do TEDx Blumenau. No currículo dela, só de speakers do TEDx que passaram por ela, já foram mais de cem!


Bateu a curiosidade? Dá uma olhada nesse primeiro texto da série que preparamos para vocês.

1. Conta um pouco mais sobre você e sua relação com o TEDx.


Nasci em Blumenau, Santa Catarina, filha de dois servidores públicos que sempre me transmitiram o 'servir' à comunidade em que nos encontramos, e o apreço pelo voluntariado.


Isso me levou a, desde muito jovem, querer devolver para a sociedade boa parte do que ela me proporcionava, e sempre buscar as melhores oportunidades não só para eu me desenvolver, mas também os melhores projetos para eu fazer parte.


Por isso, foi quase natural que, em 2013, mesmo morando fora da minha cidade natal mas ainda querendo muito retribuir tudo o que ela tinha me proporcionado e ambicionando deixar uma cidade melhor para os que viriam depois de mim, eu aceitei o convite de um amigo meu para fazer parte da equipe voluntária do primeiro TEDxBlumenau que aconteceria dali a um ano. De lá pra cá, são mais de sete anos de engajamento e muita troca :)





2. Como alguém é convidado para participar do TEDx? Como escolhem os temas?


O 'TEDx' é um evento no formado do TED, só que independentemente organizado. Isso significa que qualquer pessoa pode se disponibilizar para organizar um TEDx em sua comunidade, desde que passe pelo processo de seleção feito pelo próprio TED, a partir de um questionário hospedado no próprio site da organização. Esse independentemente organizado também significa que cada organizador possui a liberdade de escolher tanto o tema do seu evento, como os chamados speakers, as pessoas que irão compartilhar ideias no palco daquele evento específico.


Em linhas gerais, o tema é sempre escolhido pelo organizador no momento de pedido de licença (ou processo seletivo inicial), que é enviado ao TED, e sempre deve ser a resposta para a pergunta 'qual conversa a sua comunidade precisa ter agora?' - ou seja, precisa fazer sentido não só com os dias atuais, mas com a realidade do local que você quer impactar. E, falando sobre como ser convidado para compartilhar a sua ideia no palco de um evento TEDx - e, novamente, em linhas gerais -, os organizadores tendem a seguir dois caminhos principais: ou abrir as inscrições e, a partir de então, realizar uma seleção de nomes e ideias que podem ser compartilhadas; ou realizar uma curadoria das ideias mais interessantes das mais diversas áreas do conhecimento que se conectam com o tema da sua edição.





3. Qual a grande dica para apresentar de uma forma que as pessoas fiquem apaixonadas?


Com certeza, é focar em uma ideia. Diferente de outros eventos que existem por aí, o TEDx (e o TED, no geral) não foca na trajetória do speaker, mas na ideia que o mundo precisa conhecer. E essa ideia pode ser algo sobre o comportamento humano, uma teoria sobre a próxima pandemia, ou uma invenção tecnológica digna de um filme de ficção científica. E, mais importante ainda: é focar em uma ideia.


O formato do TED é, tradicionalmente, constituído por 'palestras' de até dezoito minutos de duração. Isso é pouquíssimo tempo para contar uma história de vida inteira, não é mesmo? Por isso que, uma vez que você já tem a sua ideia bem definida, é importante se manter fiel à mesma, para saber exatamente os limites do que entra, e do que fica de fora da sua fala.


Essa definição e esse recorte acabam por criar histórias bem construídas - com início, meio e fim - que, embora curtas, trazem a motivação e o propósito do speaker em sua essência. Não tem como dar errado.




4. Existe alguma fórmula para criar o roteiro na hora de falar?


É quase uma pergunta de um milhão de dólares. O mais importante aqui, na minha perspectiva, é entender o que funciona para você: embora muita gente fala que é importante escrever, por extenso, ponta a ponta da sua apresentação (e é importante mesmo), essa é uma estratégia que não vai funcionar se o seu processo criativo e de preparação passa por criar um desenho, ao invés de um roteiro.


Agora, é importante contar com o olhar externo nessa etapa da sua preparação - um familiar que convive com a sua inquietação há anos, uma parceira muito sincera, um amigo que não faz ideia do que você irá falar, ou até mesmo o acompanhamento da equipe de curadoria e preparação que alguns eventos TEDx disponibilizam. Feedback é a melhor ferramenta que você possui em mãos antes, durante e depois de você subir no palco.





5. Como você acha que pode ser uma boa preparação para os convidados do TEDx? O que aconselham?


Falando do lugar de quem já acompanhou mais de cem speakers para o tapete vermelho, algumas etapas são bem importantes nesse processo: em primeiro lugar, reconhecer que você tem uma trajetória incrível o suficiente para alguém te convidar para um evento como esse. Digo isso porque, em muitas vezes, o processo não é fácil - estamos falando de horas a fio dedicadas para um momento de muito nervosismo, em que o speaker passa pelo crivo de olhares estranhos e até anônimos -, e entender que você é bom o suficiente para estar ali já pode dar uma dose extra de segurança.


Em segundo lugar, vem a definição da sua ideia. E eu recomendo nunca passar para a escrita do texto em si antes de você ter a sua ideia definida - é retrabalho na certa. É a partir da sua ideia central que você vai conseguir ramificar a sua construção para ter argumentos que sustentem a sua ideia, e que evidencie quando existem informações demais também. Por fim, mas não menos importante: treine, e muito. Na frente do espelho, no transporte para o trabalho e para conhecidos e estranhos.


O objetivo aqui não é saber tudo de cor e salteado, mas a ideia básica estar tão arraigada em você que, não importa o que acontecer, você consiga transmitir a sua ideia ao mesmo tempo que possa aproveitar o seu momento.




6. Qual ou quais apresentações mais te marcaram e os pontos que elas possuíam de destaque?


Vou citar as minhas três preferidas (não necessariamente na ordem em que aparecem aqui!) e já indicar o porquê elas permanecem nesse lugar de destaque: Rita Pierson, que possui um dos textos mais autênticos e bem construídos que eu já vi. Ela possui um jeito muito próprio de se comunicar, e não só respeita isso, como abraça as suas gírias, as suas histórias e a cadência natural da sua entonação. Sem contar que o conteúdo é apenas brilhante.


Joe Smith, não por causa do contexto de pandemia que estamos vivendo, mas porque esse é um dos TED talks mais curtos da história e, mesmo assim, possui início, meio e fim, e um recorte claro focado na ideia que o speaker gostaria de transmitir. É uma lição de minimalismo, hahaha.


E, para fechar, a Jill Bolte Taylor: uma neurocientista que estudou o próprio derrame enquanto ele acontecia. É um relato incrível, que possui uma linha muito bem definida entre a história pessoal, e a ideia que ela quer transmitir.



7. Quais referências você indica para quem quiser se aprofundar mais e se preparar para apresentações desse tipo?


O próprio TED possui muito material para a preparação para um evento como esse, como o livro 'TED Talks' e, mais recentemente lançado, o curso TED Masterclass (ainda disponível somente em inglês).


Além desses, eu adoro enviar um vídeo da JoutJout sobre como é se preparar para o palco - da perspectiva de um speaker mesmo, trazendo as dores e as delícias desse processo. Por fim, eu sempre pergunto para os speakers que eu acompanho quais são os TED e TEDx talks preferidos deles - e os convido a reassistirem esses vídeos não apenas para relembrar como é incrível, mas também com um olhar de aprendiz, pensando 'o que eu posso aprender do texto, da postura, da estrutura dessa ideia'?




Gostou? Conta para a gente, quem você gostaria de ver aqui na Sólida, falando sobre apresentações e comunicação.


Tem bastante coisa vindo esse ano!

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